Lucas Murata

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O que escrevi fora da universidade.

Capa de “Deploy final”, um conto de Lucas Murata — fundo preto com um terminal aceso.

um conto

Deploy final

Dev 1 trabalha como programador há vinte anos. Já não sabe mais por quê. Tem trinta e seis anos, dois monitores, uma esposa, uma gata amarela e uma vocação que virou rotina. Acorda, trabalha, dorme, reinicia — um loop sem breakpoint, executado por um corpo que esqueceu se ainda é seu.

Passou a vida inteira acreditando que o mundo responderia. Agora executa os dias no automático, como uma função que esqueceu por que foi escrita. Até que o próprio mundo, devagar, começa a falhar — pequenas coisas que ele atribui ao cansaço, porque é mais fácil atribuir ao cansaço.

Deploy final é um conto sobre o vazio do trabalho moderno, o niilismo de quem performa sem viver, e o instante em que a rotina range o suficiente para deixar ver o que há por baixo. Para quem já sentiu, diante da tela, que estava apenas em funcionamento.